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Postado em 19 de Outubro de 2017 às 09h42

Cooperativas faturam R$ 10 bi e exportam para McDonald’s europeu

Mercoagro – Edição 2018 Da janela do seu escritório em Palotina (PR), o agrônomo Alfredo Lang só via lavoura. Não por acaso, quando ele sugeriu aos agricultores da cidade que montassem uma indústria...

Da janela do seu escritório em Palotina (PR), o agrônomo Alfredo Lang só via lavoura. Não por acaso, quando ele sugeriu aos agricultores da cidade que montassem uma indústria frigorífica em pleno interior, no início dos anos 1990, o chamaram de louco. "Diziam: 'Isso não é para nós, deixa para a Sadia'", lembra o agronegócio. "Falavam que eu ia quebrar."
O escritório tem as mesmas persianas e móveis daquela época. Mas, pela janela, agora se vê uma indústria que emprega 5.000 pessoas e exporta carne de frango para 40 países – inclusive para o McDonald's europeu.
A C.Vale, que Lang preside, segue a receita de outras grandes cooperativas agrícolas que apostaram na indústria em pleno campo, e viram suas receitas multiplicarem.
O segredo é fazer da lavoura um produto industrial, seja por meio do processamento de grãos ou pela transformação de milho em ração animal. Algumas avançam no varejo, e têm até supermercados e postos de combustível. "Produzir commodities não gera renda", diz o superintendente da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Robson Mafioletti.
Agricultores apostaram na indústria – que dá mais estabilidade à atividade e agregar valor à produção, que deixa de ser tão dependente de fatores externos– após quase quebrarem com secas ou geadas nos anos 1970 e 1980.
"Uma vez, perdemos 80% da produção. Foi aí que caiu a ficha: se ficarmos só nisso, não vamos sobreviver", conta Valter Pitol, presidente da Copacol, dona de um complexo industrial responsável por 80% das receitas da pequena cidade de Cafelândia (PR), com 17 mil habitantes.
Os exemplos de sucesso são numerosos: a Coamo, maior cooperativa da América Latina, com faturamento de R$ 11 bilhões, priorizou o esmagamento e industrialização da soja. A C.Vale, que fatura R$ 7 bilhões por ano, apostou na criação de frangos, peixes, suínos e gado pelos cooperados, a fim de transformar grãos em ração e, depois, em proteína.
Como elas, há dezenas espalhadas pelo interior do País, principalmente no Sul. "É um rural que tem um dinamismo muito grande, cortado por estradas e com vários tipos de atividade econômica", diz Adma Hamam de Figueiredo, gerente de visões de território do IBGE.
Cooperativas arrecadam até 50 vezes mais do que os municípios em que estão inseridas. "São potências regionais, que balizam o desenvolvimento das cidades", diz Pedro Gonçalves, diretor da Partner Consulting, que atuou em um plano estratégico das cooperativas no Paraná.
POLÍTICA
Pelo gigantismo, as cooperativas ganham peso político. Em Cafelândia, dos 5 prefeitos já eleitos, 3 eram associados da Copacol. "Mas não tem envolvimento nenhum da cooperativa", afirma Pitol.
Os dirigentes dizem estar vacinados contra o uso da associação como trampolim político. "Muitas quebraram porque pareciam casa de caridade; davam tudo para o associado. Não há espaço para amadorismo. A cooperativa é uma empresa", diz Lang.
"Aqui é sem paternalismo. Sempre que alguém recebe algo de mão beijada, outro perde", declarou o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, em evento recente.
Nas fazendas, a fórmula da agroindústria gerou empregos registrados como na pequena propriedade de Edemar Burin, em Palotina, que tem cinco funcionários em seus aviários, com direito a participação nos lucros.
Assim como outros associados, ele vende a produção para a cooperativa, que fornece os pintinhos e a ração e dá assistência técnica.
"Se for só com esse pingo de lavoura, não vive. Dá uma geada e para tudo", diz o produtor, que cria frango e peixe, além de plantar. Na frente da propriedade de 100 hectares, uma placa: empresário rural modelo. Burin tem seis aviários e já prepara o sétimo, ao custo de R$ 1 milhão, que financiou no banco.
VAREJO
O segredo é "colocar os ovos em cestas diferentes", como afirma Lang, da C.Vale. E a cesta mais recente dos agricultores é o varejo. A Copacol tem uma rede de supermercados, cujo faturamento quase dobrou em 2016. A Lar, de Medianeira, exporta industrializados e com marca própria até para a China.
"O próximo desafio é conquistar o consumidor, que é o que gera mais resultado", diz Gonçalves, da Partner. As cooperativas planejam uma campanha para estimular o consumidor a comprar produtos de suas indústrias.

Fonte: Folha de S. Paulo/Estelita Hass Carazzai

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

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